Ritual

Existem vários passos tradicionais bem estabelecidos e antigos para o ritual no dodecateísmo. Esta postagem não é sobre eles, e sim sobre inovações meio modernas que visam melhorar a experiência ritual, aumentando a experiência mística e religiosa.

As tarefas podem ser divididas para cada um dentro do ritual em conjunto (um é responsável pela música, outro pelo cerne, outro pelas oferendas, etc). Pode fazer a seu modo, com ou sem liturgia, com ou sem incensos, etc.
Freqüentemente, os rituais em grupo têm como objectivo a comunhão com a(s) divindade(s), fazendo com que todos os participantes sejam um com a divindade.  Todos se concentram, a partir de diversas técnicas, listadas abaixo, incluindo essencialmente a fé e a boa-vontade da participação.
Quando comemora-se a divindade em seu dia específico, é interessante realizar jogos ou peças teatrais em sua honra, além do ritual. Uma antiga tradição de gregos e romanos.
Abaixo segue uma série de aconselhamentos para fazer um ritual completo e em grupo.

Purificação

A purificação é uma das partes antigas e tradicionais dos rituais, mas continua a ser uma parte essencial. Através da purificação preparamos claramente o corpo e a mente para entrarmos em contacto com o divino, tornando-nos mais aceitáveis, ou melhor, demonstrando respeito para com os Deuses. Exemplos de purificação é lavar as mãos com alecrim, tomar banho com certas ervas, com sal, etc. É interessante lavar-se com as ervas associadas à divindade em que se vai celebrar o ritual.

Música

A música também era parte integrante de quase todos os rituais antigos, não apenas no ágon, mas nos hinos e, pensa-se, até na própria circunvalação que era, provavelmente, uma dança ao som da música. Para além disso, a música fazia parte das procissões e da educação base de todos os cidadãos gregos.
A música exalta nosso espírito, sentimos a essência da música vibrando em nós, o que ajuda bastante na concentração no ritual.
Em rituais de grupo é fácil introduzi-la, no momento da procissão, na evocação e nos hinos, e tem o benefício acrescido de aumentar a sensação de envolvimento. Em rituais solitários, a música pode consistir num simples cântico repetitivo de duas linhas, por exemplo, que até podem ser inventadas no momento. Na música, o ideal também é exaltar o nome da divindade a quem está prestando o ritual.

Silêncio

O silêncio é a directa oposição da música, curiosamente sob a alçada do mesmo Deus, Apolo. No entanto, pode contribuir tanto como a música para o ritual. O silêncio demarca o ritual do rebuliço barulhento do dia a dia e marca viragens dentro do próprio ritual.

Respiração

A respiração é essencial na experiência mística. Uma boa respiração conduz mais oxigénio ao cérebro, o que potencial o seu funcionamento acima do normal. Assim, basta tomar uma respiração profunda, ou acelerada, dependendo dos gostos ou momentos, sendo especialmente eficazes em situações de silêncio ou meditação.
Iluminação

A luz e a escuridão já eram utilizadas na antiguidade em que havia casas escuras para certos rituais, nomeadamente os mistérios ou rituais ctónicos, para além de grutas sagradas. A escuridão combinada com o silêncio alternado com cânticos, incubação e meditação contribui muito para uma sensação mística. A iluminação do escuro proveniente do acender da chama sagrada também é impressionante. Por outro lado, o emergir para a luz nalguma parte de um ritual simbólico é uma das experiências mais místicas que se pode ter.

Inspiração

A inspiração reforça o contacto com o divino e opõe-se directamente à estrutura rígida associada à maioria dos rituais sem, no entanto, a violar. Incorporar a inspiração no ritual significa ter partes destes reservadas a inspirações, ou seja, a dizer ou fazer aquilo que os Deuses nos inspirarem.
Podemos definir que a canção seja de inspiração, que a meditação seja uma espécie de jornada inspirada no momento, que cada elemento do grupo possa dizer algo que esteja inspirado a dizer no momento, ou um momento para cada um reflectir sobre a sua noção da divindade celebrada.

Localização

A localização relaciona-se com todos os outros factores, mas a principal consideração é a disponibilidade. A primeira escolha deverá ser entre o ritual no exterior ou no interior, cuja escolha deve variar conforme o Deus em celebração e conforme a disponibilidade da pessoa ou pessoas, bem como em relação ao tempo.

Envolvimento

Nos rituais de grupo é importante que cada participante sinta que é, de facto, um participante, isto é, é necessário que cada pessoa tenha um papel, de preferência bem definido antes do início do ritual. A procissão é um local óbvio para atribuir papéis, como a portadora da água, o músico (ou portador do rádio), portador do centeio, senhor(a) do sacrifício, pessoas com decorações ou instrumentos simples, como chocalhos, etc. Mas a participação não se deve limitar à procissão: na purificação todos tomam lugar; se houver hinos suficientes pode atribuir-se um a cada pessoa para que o leia, ou então dividir hinos grandes em partes; nas ofertas cada um pode ofertar algo e pedir algo ou agradecer por algo pessoal.
Para organizar isto é importante que haja um clérigo (sacerdote), pode ser homem ou mulher, sendo o mais conhecedor do ritual e da religião. É importante que este clérigo(a) seja permantente em todas as celebrações da comunidade, porém, com a actual descentralização de nossa religião, é difícil pôr em prática.

Concentração

Durante o ritual não podemos pensar em outra coisa, somente no seu objetivo e na divindade. Todas as tecnicas citadas aqui ajudam na concentração. A concentração também é válida à outras práticas dentro da religião. Temos que cessar a mente do nosso quotidiano, do mundo lá fora, e somente nos consentrarmos no ritual que fazemos no momento.

4 comentários:

  1. Boa tarde. Existe algum ritual específico de iniciação? Se sim, qual? Obrigado

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    1. Olá. Provavelmente havia, mas não tenho acesso às fontes. Os rituais mudavam de cidade a cidade, e hoje o mais próximo dos antigos rituais gregos são os ritos da Igreja Ortodoxa. Muito foi perdido. Sinceramente não participo de um grupo de religião grega, e os ritos de iniciação desses grupos nunca são os antigos ritos.
      Mas tb não precisa seguir os antigos rituais. Aliás todo ritual foi criado por um homem, teve um início definido. Também não sei que tipo de iniciação vc quer, se é uma iniciação à religião em si, à algum mistério hermético, ou uma consagração à um deus(a), etc.
      Enfim lamento informar que não há um ritual de iniciação específico.

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  2. Boa noite. Eu gostaria de saber se me pode ajudar, indicando me um ritual para a saúde. Tenho um ente querido que esta a precisar muito de ajuda. Por favor seria lhe imensamente grata. Obrigada.

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