Saturno

  • Raça: Titã (Urânida)
  • Aspectos: Deus dos ciclos terrestres; Deus da colheita; Deus do tempo; Deus da transmutação.
  • Cônjuge: Cibele (Réia)
  • Filiação: Gaia e Urano
  • Descendentes: Vesta (Héstia); Neptuno (Poseidon); Ceres (Deméter); Plutão (Hades); Juno (Hera); Júpiter (Zeus).
  • Aliados: Titãs; Fauno; Eros.
  • Plantas relaccionadas: Cereais; sabugueiro; urze; urtiga; meimendro; hera; azevinho; menta; pachuli; madressilva; aroeira; arruda; assa-peixe; manjericão roxo; choupo; avenca, samambaia; cavalinha.
  • Atributos e símbolos: Foice.
  •  Festival romano:  17 até 23 de Dezembro.

Saturno (ou Cronos, na Grécia), é filho de Urano (o Céu) e Gaia (a Terra). É o Deus do tempo, do antigo estado de candura nos tempos áureos, da transmutação e evolução. Durante o período em que seu pai, o Céu, dominava o Universo, Saturno foi o único de seus irmãos que teve coragem de matar o pai e tomar-lhe o poder. Ele fez isso a pedido de sua mãe, a Terra, pois o Céu era um tirano e não dava espaço aos outros Deuses, trancando seus filhos com Gaia nas profundezas do Tártaro (pois vivia unido com a Terra). Seu filho Saturno cortou-lhe os testículos na primeira oportunidade, separando-o da de Gaia. Fraco e dolorido, Urano não teve escolha, senão ser destronado pelos seus filhos. Assim acabou o período de domínio do Céu.

Saturno se tornou o novo líder do Universo, e com isso sua mãe, Gaia, esperava que ele libertasse todos os seus irmãos, mas ele só libertou os seus irmãos Titãs, enquanto os seus outros irmãos, os ciclopes e os cem-braços (centímanos), continuaram trancados nas profundezas. Gaia não esperava esta atitude de seu filho, ela continuou triste. Gaia profetizou que assim como o pai, Saturno seria destronado por um de seus filhos. Então, Saturno passou a engolir todos os filhos que tinha com Cíbele, pois assim seu poder no universo se torna eterno. O tempo foi passando até que ele engoliu cinco filhos. Quando o sexto filho nasceu, Cíbele pediu a ajuda de sua mãe, Gaia, para que o sexto bebê sobreviva. Então, com o apoio de Gaia, Cíbele entregou a Saturno uma rocha enrolada num pano, parecendo um bebê, e o fez engolir a rocha.

Réia entregando um bebê a Cronos
O sexto bebê é Júpiter (Zeus), que foi criado pelas ninfas e amamentado pela cabra Almatéia. Quando creceu, Júpiter com a ajuda de Métis, sua primeira esposa, encontrou Saturno, e lhe entregou um elixir para que ele vomite os filhos que engolira. Os cinco filhos saíram inteiros, e fizeram um motim para destronar Saturno. Gaia, apoiando Júpiter, disse para este libertar os ciclopes e os centímanos, pois somente com a ajuda deles poderão vencer Saturno e sua legião de Titãs. Então começou a guerra que ficou conhecida como Titanomaquia, de um lado a legião de Saturno com os Titãs, do outro lado a legião de Júpiter e seus irmãos no Monte Olimpo. No fim dessa épica batalha, Júpiter vence e propõe uma nova ordem no Universo, enquanto Saturno e seus irmãos são trancados no Tártaro.

Este mito surgiu quando os gregos passaram a cultuar divindades olimpianas, dando menor importância às divindades da natureza. Em outras versões, Saturno é castigado a ser um mortal e vagar pela superfície da Terra. Nesta versão, ele se torna Deus da agricultura, que ensina aos primitivos humanos a plantar e colher o alimento, sem precisar migrar para outras terras. Saturno ensinou tudo sobre os ciclos da Terra, os períodos férteis, os solstícios e o cultivo de cereais. Sua associação com os ciclos e períodos o tornou Deus do tempo. Junto com o tempo, Saturno é senhor da transformação, uma transformação atuante na natureza e transformação ascendente de nossa sabedoria e nosso espírito, a evolução, com que alcancemos nosso estado mais puro e divino, assim como a semente passa por diversas etapas de tempo até se tornar uma perfeita espiga. Nosso objectivo central é transformar-nos, evoluirmos para resgatar os Tempos Áureos e nossa evolução espiritual. Eis a essência de Saturno atuando no Universo.

Nos tempos em que Saturno governava o Universo, a humanidade vivia a Era de Ouro, pois não havia doenças, as mortes eram tranquilas, e a terra era sempre fértil e gerava alimentos o ano inteiro. Os humanos da época de Saturno viviam na pureza, eram puros nos pensamentos e acções, e, portanto, unidos ao paradigma divino. Tal pureza mantinha o mundo livre de discórdia  Saturno provia aos humanos todo o conforto e sabedoria, o Senhor do Tempo livrava os mortais do karma e do destino. É dito que Saturno só se tornou senhor do karma e da morte quando foi destronado.  Os romanos comemoravam em dezembro a Saturnália, com banquetes, teatros e orgias. Com a Saturnália, comemoravam a antiga Era de Ouro e ao descanso dos Deuses do Submundo (no qual a terra ficava infértil), com a esperança do fim do inverno e de tempos melhores. Era um festival parecido com o atual Natal cristão, onde todos trocavam presentes.

Em termos de dualismo divino, Cíbele (Réia) e Saturno (Cronos) formam uma dualidade. Podemos dizer que Cíbele é o espaço, a terra, enquanto Saturno é o tempo. Na ausência deste divino casal, não haveria a história, a existência seria em vão. O tempo e o espaço coexistem. O tempo modifica o espaço e todos os elementos que nele residem. A transformação está em tudo à nossa volta, atuando bem antes da nossa existência.

5 comentários:

  1. Ele também é pai do Centauro Quiron (Kéntauros Kheírôn)com a Oceânide Filira (Ôkeanís Philýra).

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  2. Um hino órfico a Krónos traduzido do espanhol:

    XIII. A KRÓNOS

    Odorosa resina de incenso

    Pai dos bem-aventurados deuses e dos homens, perenemente jovem, fértil em recursos, imaculado, ditador, valoroso Titán, que tudo consumes e, por sua vez, o engrandeces, que possuis, pelo amplo mundo, vínculos irrompíveis. Krónos, progenitor do tempo, Krónos eloqüente; prole de Gaía e do estrelado Ouranós, nascimento, crescimento e diminuição, esposo de Rheía, venerável Prometheús, que habitas em todas as partes do universo, patriarca de sinuoso espírito, poderoso. Atende nossas suplicantes vozes e, por favor, envia um ditoso final de vida para sempre irrepreensível.

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  4. Hino órfico aos Titánes traduzido do espanhol:

    XXXVII. AOS TITÁNES

    Incenso odoroso

    Titánes, ilustres filhos de Gaía e de Ouranós, antepassados de nossos pais, que habitais nas mansões do Tártaros, sob o solo, no interior da terra, princípio e fonte de todos os mortais que se cansam muito, dos seres marinhos, dos alados e dos que habitam a terra, pois de vós deriva toda estirpe no mundo; a vós peço que afasteis a dura cólera, caso algum dos ancestrais infernais se aproxime de nossa morada.

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  5. Amei o mito... de todas as leituras que tive oportunidade de desfrutar essa é a mais detalhada... muito obrigada

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