Os espíritos nos tempos helênicos

Enquanto encarnados somos corpo e espírito, isto é fato para qualquer crença. Por consequência disso é aceitado em várias religiões a comunicação com espíritos desencarnados, até mesmo no catolicismo. Desde os tempos antigos houve comunicação com espíritos, seja por meio de louvores e até mediunidade.
Nos tempos antigos a mediunidade e a sensitividade era mais frequente do que nos tempos atuais. Na espiritualidade de todos os povos havia contato com entidades, mas voltemos nossa atenção ao mundo grego.
Segundo a cosmologia grega, ao morrermos seremos julgados pelos nossos feitos, e então seremos encaminhados nos campos Elísios (para quem foi virtuoso), nos campos Asfódelos (para os que não fizeram nada de bom nem nada de ruim), ou o Tártaro (aos que foram maus), no Tártaro o espírito passava num processo de esquecimento para poder reencarnar e ter outra chance. Ainda sim os grande parte dos espíritos desencarnados andavam errantes pela Terra, ou iam na Terra propositamente para nos guiar.

Hesíodo, e outros poetas, diziam-se inspirados pelas musas, e até por ninfas, ao escreverem suas revelações. Na sociedade helênica era muito comum ter feiticeiras e videntes, que atendiam pessoas em suas casas e invocavam espíritos que lhe auxiliavam, eram feitos desobsessões, curas, consultas, previsões, mas também havia templos mais estruturados onde sacerdotisas (pitonisas) invocavam o que elas diziam ser um Deus, eram os oráculos. O mais conhecido é o de Delfos, o Oráculo de Apolo, mas houve vários oráculos em toda a civilização grega (Oráculos de Dodona, Anficléia, Epidauro). Uma frase escrita na porta do oráculo de Delfos é "conhece-te a ti mesmo e conhecerás os Deuses e o Universo". Eram espíritos de grande sabedoria que guiavam a humanidade. Nesses oráculos a entidade incorporada aconselhava os que lhe recorriam, principalmente sobre guerras e acordos diplomáticos, que muitos líderes perguntavam às sacerdotisas, como Leônidas, Alexandre e Júlio César. Essa forma de contato espiritual não é tão diferente das casas espíritas que temos na atualidade.

Para entrar em transe, a pitonisa
mascava folhas de louro, bebia a
água da fonte sagrada e era envolta
de vapores de enxofre vinda de uma
fenda sob o solo, no santuário, 
assim recebia mensagens geralmente
em forma poética e simbólica, que
eram desveladas pelos sacerdotes
O culto popular aos espíritos também era algo muito comum, assim como hoje vemos culto à entidades do espiritismo popular (Zé Pelintra, Nicanor Ochoa, etc) e até culto à anjos da guarda e santos católicos (que não deixam de ser espíritos desencarnados que auxiliam os encarnados). Na antiguidade grega e romana havia em toda casa pequenos altares dedicados à espíritos familiares. Era comum também, durante um banquete, fazerem libações, entornando um pouco de vinho em honra aos espíritos convenientes.
O principal lugar associado aos espíritos eram as encruzilhadas nas estradas. Lá eram construídos efígies e oferendas eram postas, sobretudo por viajantes e comerciantes.
Muitas vezes os espíritos que influenciam em nossas vidas era chamados de "daemon", que derivou a palavra "demônio". Há daemons ruins (obsessores), daemons errantes, e daemons bons, que auxiliam e guiam a humanidade. Os daemons eram oferendados em certos pontos da natureza e também em estradas e cruzamentos. Hércules foi possuído por um daemon ruim em uma das versões de sua jornada. Sócrates dizia que um daemon o acompanhava e o instruía, dizia ele: "Desde minha infância, graças ao favor celeste, sou seguido por um Ser quase divino, cuja voz me interpela a esta ou àquela ação".
Sob influencia do cristianismo, os daemons foram considerados apenas espíritos maus, ou pior, emissários do Diabo, dando o conceito de demônios que conhecemos hoje.
Não há dúvidas que espíritos nos acompanham, sejam eles bons ou maus, e não devemos temer, não é um filme de terror, temos que ter conhecimento disso e sempre evitarmos obsessões e agradecer aos bons espíritos.

6 comentários:

  1. "Os Deuses, em suas características, são forças criadas por nós" Mas que barbaridade! Quem é que disse isso? Quem é que te ensinou isso? Está tudo errado. Nâo tens autoridade nem legitimidade para "ensinar" o que é o dodecateismo a ninguém, uma vez que nem a ti próprio o conseguiste fazer. Bem podes apagar o blog todo e tentar recomeçar com o pé direito.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Leu o texto inteiro? Eu não quis dizer que os Deuses são frutos de nossa imaginação, mas sim são personificados por nós, por cada cultura que os veem de modo diferente.

      Excluir
  2. E você Bruno Faustino, tens legitimidade e autoridade? Cuidado, cara, em tuas palavras, agiste como um dono da verdade, como certos religiosos estúpidos que existem por aí que não sabem interpretar as coisas e creem obetivamente. No mais, bom texto do Victor.

    ResponderExcluir
  3. Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.
    Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos vossos servos por amor de Jesus.
    Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo.
    2 Coríntios 4:4-6

    ResponderExcluir
  4. Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.
    Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos vossos servos por amor de Jesus.
    Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo.
    2 Coríntios 4:4-6

    ResponderExcluir
  5. Se não gostam ou nao concordam, com filosofia espitual ,pelo menos respeitetem a espiritualidade alheia.

    ResponderExcluir