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Éros

  • Raça: Deus primordial
  • Aspectos: Deus do amor; Deus da união; Deus do equilíbrio.
  • Cônjuge: Psiquê
  • Filiação: Vênus e Marte.
  • Descendentes: Hedonê
  • Aliados: Vênus; Têmis; Apolo; Hélio; Selene; Eos; Cronos; Gaia; Nix; Pontos; Proserpina.
  • Plantas relaccionadas: Mirra; olíbano; acácia; patchuli; anis; cálamo; benjoim; canela; cravo-da-índia; eucalípto; oliveira; erva-doce; alecrim; verbena; hortelã; gengibre; gardênia; manjerona; jasmim; louro; lótus; azevinho.
  • Atributos e símbolos: Arco e flecha; asas brancas.

Éros é o Deus do amor, da união. Hesíodo o classificava como um Deus primordial, que deu impulso à criação, ele é a "vontade" da criação (leia Teogonia, de Hesíodo). Não significa que Éros é o criador de todo o Universo, e sim que ele é o organizador de tudo, ele é o oposto do Caos, ele é a harmonia cósmica primordial que compõe o Universo. Hesíodo dizia que ele é "o mais belo entre os Deuses imortais".
Muitos autores diziam ser Éros filho de Vênus (Afrodite) e Marte (Ares). Vênus é o arquétipo do feminino, a suavidade, a paz; Marte é o arquétipo do masculino, a agitação, a guerra. Com a união de cada uma das duas polaridades, surge Éros, a harmonia cósmica perfeita, composto pelas duas polaridades em harmonia (Yin-Yang).

Com o tempo, Éros foi sendo cultuado erroneamente como somente o Deus do amor físico (carnal), adaptando-se o nome romano de "Cupido". Éros é assim conhecido até os dias de hoje, uma criança alada com um arco e uma flecha, atirando nos casais para que se apaixonem. Muitas vezes, nas antigas Grécia e Roma, Éros era representado como uma criança alada portando um arco com flechas. Outras vezes era representado como um adulto alado.
Éros e Psiquê

Segundo um mito, Eros casou-se com Psiquê (a Alma), com a condição de que ela nunca pudesse ver o seu rosto, pois isso significaria perdê-lo. Mas Psiquê, induzida por suas invejosas irmãs, observa o rosto de Éros à noite sob a luz de uma vela. Encantada com tamanha beleza do Deus, se distrai e deixa cair uma gota de cera sobre o peito de seu marido, que acorda. Irritado com a traição, Éros a abandona. Esta, ficando perturbada, passa a vagar pelo mundo até se entregar à morte. Éros, que também sofria pela separação, implora para que Júpiter tenha compaixão deles. Júpiter o atende e Éros resgata sua esposa.

Muitos dodecateístas aceitam a idéia de emanacionismo, sendo Eros o princípio de todas as coisas, a origem da criação. Sendo assim, em todo o nosso ciclo de reencarnação, evoluímos até alcançarmos um estado superior, onde nos tornamos unos a esse princípio, nos tornamos unos a Eros.
Sendo o Deus, fruto da união de Vênus com Marte, e exaltando a idéia de emanacionismo, podemos concluir que Eros é o próprio bem, a união equilibrada de dois extremos é o "bem", enquanto o desequilíbrio de dois extremos é o "mal".

Musas

As Musas são entidades da arte e da ciência, são divindades da inspiração. Poetas, escritores, historiadores, pintores, escultores, músicos e cantores são os que trabalham com a arte, andando sempre junto às musas. Elas inspiram a quem lhes pede de coração e de espírito artístico.
As musas são filhas de Apolo, ou são também classificadas como filhas de Zeus e Mnemosine. Geradas para anunciar a glória e a harmonia.
Seu culto surgiu da Trácia, e depois foi levado à Beócia, onde eram classificadas como três musas:
  • Meletéia: Musa da meditação
  • Mneméia: Musa da memória
  • Aedéia: Musa do canto

As musas citadas abaixo são as que os gregos classificaram. Podem ver que, entre essas musas, não há nenhuma associada à pintura ou escultura. Vou esclarecer-vos:
No início de seus cultos, as musas eram divindades bastante pastoris, voltadas principalmente à música e poesia. Com o passar do tempo, os gregos foram se urbanizando e se sistematizando, adeptando-se a novas artes. Com o tempo, os gregos sistematizaram as musas associando-as às artes helênicas de maior valor entre eles, como a poesia, o teatro e a filosofia. Os gregos sistematizaram o culto com nove musas, pois antes cada região cultuava certo número de musas. Platão dizia que a poetisa Safo de Lesbos é a décima musa.
Nove, simbolicamente, é o número da criação, um número relacionado à Lua.

As musas eram adoradas nas academias gregas de ensino, em teatros, em templos de heróis e entre os poetas e artistas. Hesíodo, em seus livros, primeiramente faz uma dedicatória às musas. Essa dedicatória é comum entre muitos poetas e escritores gregos e romanos.
Várias montanhas e cordilheiras eram dedicadas à elas. O monte Parnaso era o principal centro dedicado às musas, onde diziam que elas viviam por lá. Também diz-se que, antigamente, na Arcádia viviam pastores, poetas e músicos, dedicados à arte e a uma vida tranqüila em harmonia com a Natureza.
Não é necessário se prender à essas classificações antigas de musas. Afinal, os antigos gregos classificaram-nas de acordo com sua época. Hoje, estamos em outra época, com culturas e valores diferentes. As musas não estão a disposição somente de cantores, poetas, cientistas e escritores, mas também de pintores, artesões, escultores, e, na minha opinião, também de mestres, cozinheiros, meretrizes e marceneiros, todos trabalhos que exercem funções artísticas (Alma, emoção, contemplação) e funções científicas (Logos, razão, meditação).

Baco

  • Raça: Deus Olímpico
  • Aspectos: Deus da liberdade; Deus das festas; Deus da diversão; Deus do vinho; Deus do desvario; Deus da alegria; Deus da reencarnação; Deus da simplicidade.
  • Cônjuge: Ariadne.
  • Filiação: Júpiter e Sémele.
  • Descendentes: Príapo.
  • Aliados: Fauno; Mercúrio; Vulcano; Cíbele; Ceres; Plutão; Proserpina; faunos.
  • Plantas relaccionadas: Uva; cevada; sálvia; cravo-da-índia; hera; pachuli; pinho; azevinho; manjericão; cannabis; erva-cidreira; chacrona; mirra; jurema; acácia.
  • Atributos e símbolos: Tirso; guirlanda de parreiras; uvas; leopardo; cântaro.
  • Signo associado: Aquário.

Baco (Dionísio, em grego) é Deus do vinho, das festas, da diversão, do prazer da loucura e exagero. Contudo também é um Deus voltado ao misticismo e ao espírito.
Segundo os mitos órficos, Zagreu, filho de Júpiter (Zeus) com Proserpina (Perséfone), foi o filho preferito de Júpiter, porém, Juno, ensiumada, ordenou que os Titãs o matassem e o devorassem. Eles o fizeram, e logo depois Júpiter matou os Titãs com raios. Minerva resgatou o coração de Zagreu, ainda inteiro. Com as cinzas dos Titãs e de Zagreu, gerou-se a humanidade, formada pelo corpo físico (Titãs) e pelo espírito (Zagreu). Nos cultos órficos, diz-se que enquanto a alma é divina, o corpo físico é pecaminoso, e aprisiona a alma, e passamos por uma série de reencarnações até adquirirmos virtudes suficientes para ficarmos livres desse ciclo penoso (saiba mais sobre Orfismo). O coração de Zagreu foi entregue a Júpiter, que o transformou em elixir e deu para a mortal Sémele, e logo lha teve relacções sexuais, gerando dentro de seu ventre o espírito de Zagreu, porém em outro corpo (reencarnação)

Júpiter a engravidou. Juno então, desfarçada de uma velha mortal, disse à Sémele, "Se ele realmente diz que é Júpiter, peça-lhe para que ele se mostre em sua verdadeira forma divina, como prova de amor por ti".
No dia seguinte, Sémele questionou Júpiter, pedindo-lhe para que o Deus se mostre em sua verdadeira forma como vive nos Céus, se realmente a ama. Júpiter então se mostrou explêndido, luminoso e relampejante (Júpiter é a personificação dos raios e trovões). Sémele não aguentou vê-lo e morreu (provavelmente atingida por um raio). Ela estava grávida, e Júpiter foi obrigado a resgatar o bebê prematuro de seu ventre. O Deus abriu uma fenda em sua própria coxa e abrigou o feto, que é Baco. Juno andou injuriada a procura do bebê para matá-lo.

Quando Baco (Zagreu reencarnado) nasceu, Mercúrio, a mando de Júpiter, levou o bebê à Ásia, sendo criado nas montanhas pelas ninfas. Durante sua vida nas montanhas, Baco descobriu a parreira e a fazer vinho das uvas, sendo considerado o criador da primeira bebida alcoólica conhecida pelos gregos. Os antigos consideravam o vinho uma bebida divina, que eleva o espírito, assim como os árabes consideravam o álcool (Al Cohol = "espírito leve" em árabe).

Quando Juno descobriu Baco, começou a persegui-lo, deixando-o louco, e assim ele começou a vagar pela Terra. Na Frígia, conheceu Cíbele, Deusa da natureza e abundância, que o curou e o iniciou em seus ritos religiosos. Assim, Baco começou a juntar discípulos por onde andava, ensinou-os a cultura da vinha e os seus mistérios por toda a Ásia. Quando voltar para Tebas, sua cidade de origem na Grécia, com seu grupo de fiéis, tentou introduzir o novo culto os povo de lá. Com isso, Baco foi perseguido pelas autoridades do rei Penteu. Mesmo com essas perseguições, o número de fiéis só aumentou, até a própria mãe de Penteu seguiu o novo culto vindo do Oriente. Penteu então expiou o que os fiéis faziam, e acabou sendo confundido com um javali e dilacerado pelos asseclas alucinados. E assim foi se expalhando o novo mistério.

Baco iniciou um culto místico muito difundido pela Europa. Esses cultos secretos envolvia-se embriaguêz, música e sexo, uma experiência mística de extremo prazer, para um contacto místico. Os sectários dos Cultos Dionisíacos buscavam uma vida mais tranqüila e livre, sem o estresse, formalidade e monotonia do cotidiano. Primeiramente, os cultos eram reservados apenas às mulheres (bacantes, ou ménades), somente depois, quando o culto já avançou até a Itália, que começaram a aceitar homens (confundindo-os com sátiros, devido ao aspecto selvagem e peles de animais que vestiam). Assim como o Deus, os fiéis portavam o "tirso", um cetro rústico de madeira, envolto de hera com uma pinha na ponta. Baco muitas vezes era descrito como andrógino, e talvez seus fiéis também se vestiam de maneira andrógina.

Uma boa maneira actualmente de servir total devoção a Baco, sem ser bacante, é largar tudo, parar com o consumismo, parar com a rotina de "estudar" e "trabalhar" muito, e viver na simplicidade, vagando sem rumo, conhecendo novos lugares, novas pessoas, conhecendo a si mesmo, tornar-se puro, buscando sempre estar feliz. Com essa tentativa de se desgrudar do mundo material, podemos ver semelhança não apenas em Baco, mas também em Zagreu, afinal são o mesmo diviníssimo Deus, porém com diferentes avatares. Viver na felicidade, sem preocupações, é viver em Baco.

Apolo

  • Raça: Deus Olímpico
  • Aspectos: Deus solar; Deus das artes; Deus da profecia; Deus da purificação; Deus da razão; Deus da fé; Deus da harmonia.
  • Cônjuge: Várias amantes
  • Filiação: Júpiter e Leto
  • Descendentes: Esculápio; Troilo; Orfeu; Aristeu.
  • Aliados: Diana; Mercúrio; Neptuno; Salácia; Febe; Éros; Fauno; Vênus; musas.
  • Plantas relaccionadas: Louro; hidraste; mirra; olíbano; benjoim; alecrim; canela; cravo-da-Índia; carvalho; limoeiro; capim-limão; laranjeira; eucalípto; poejo; crisântemo; cravo; girassol; anis.
  • Atributos e símbolos: Lira; coroa de louros; cristal; ouro; auréola solar; cisne.
  • Signo associado: Leão.
  • Festival romano:  23 de Setembro.

Apolo é o Deus das artes, da perfeição (física e moral), da profecia, da pureza e da razão. No mundo tanto latino quanto helênico era chamado de Apolo, mas também costumava ser chamado de Febo entre os latinos. Apolo é irmão gémeo de Diana (Ártemis). Quando o Deus nasceu, na ilha de Delos, sete cisnes deram sete voltas ao redor da ilha, e acabando a séptima volta, Apolo nasceu. A primeira a nascer foi Diana, que mal acabou de nascer e já ajudou sua mãe a parir Apolo. Os cisnes levaram o Deus para o norte, e quando cresceu foi viver na Grécia. Mais tarde, quando resolveu ir à Delfos (não confunda com a ilha de Delos), a cidade estava dominada pela monstruosa serpente Píton, filha de Gaia. Apolo lutou contra a serpente e a matou. Após isso, Apolo recebeu devoção e adoração na cidade, recebendo o Oráculo de Delfos, que antes era posse de sua avó, Febe. A Apolo também eram realizados os Jogos Píticos, uma série de competições "olímpicas" de entretenimento em honra ao Deus.
O Oráculo de Delfos era o mais conhecido templo-oráculo entre os povos do Mediterrâneo. Nele trabalhavam as sacerdotisas de Apolo, chamadas "pitonisas". Sentadas num banco de três pilares sobre uma fenda no solo, as sacerdotisas recebiam a inspiração mediúnica do Deus (ou de espíritos da mesma vibração de Apolo), dizendo suas profecias e conselhos, de acordo com o que se procura. Das fendas saíam gases do subsolo. Embora fossem apenas gases subterrâneos, ainda pode ser usado como divinação, afinal, a Natureza é divina e possui essência divina.

Durante a Guerra de Tróia (leia a Ilíada), Apolo ficou a favor dos troianos, se tornando muito venerado em Tróia. Quando ele e Neptuno falharam na tentativa de destronar Júpiter, Apolo foi punido a cuidar do rebanho do rei de Tróia. Durante esse período de pastoreio, nasce seu irmão Mercúrio, que, ainda bebê, pregava-lhe peças, roubando seu rebanho de ovelhas. Ainda bebê, Mercúrio inventou a lira, que encantou Apolo, então este resolveu trocar o rebanho pelo instrumento. Mercúrio também inventou a flauta-de-pã, que trocou com o irmão pelo seu cajado de ouro para pastorear. O cajado se transformou no caduceu.
Apolo é considerado o mais belo dos Deuses, ele é símbolo da perfeição, e também da pureza. Muitas vezes ele é dito como pai das musas, e isso faz muito sentido, pois Apolo é Deus das artes, e as musas representam cada tipo de arte. Apolo vive entre as ninfas, ele já amou muitas ninfas, Deusas, mulheres e homens.

Apolo muito se assemelha a Éros, pois ambos são Deuses da perfeição e harmonia, e ambos são considerados belíssimos. O papel de Apolo nisso é lembrar às pessoas do Amor Primordial (Éros), e que devemos ser puros e viver em harmonia para chegar a Éros.
O Império Romano, ao longo dos tempos, foi devotando-se a Apolo junto com Hélio (culto ao Sol Invictus), que, com a vinda do cristianismo, seu culto foi substituido pelo de Jesus. Apolo possui aspectos bem parecidos com Jesus, como a pureza, a perfeição, o aspecto solar, a razão e a harmonia. Quando Apolo destruiu a serpente Píton, simbolizou a razão e a justiça destronando o caos. A principal imagem que o Deus nos transmite é o de que a harmonia leva à perfeição.

Em termos de dualismo divino, Diana e Apolo formam uma dualidade. Diana é a simplicidade, enquanto Apolo é a extravagância. Diana é a alma, a intuição, a lua, enquanto Apolo é o logos, a razão, o sol. Ambos são igualmente importantes na harmonia cósmica.

Mercúrio

  • Raça: Deus Olímpico
  • Aspectos: Deus da diplomacia; Deus do comércio; Deus da loqüência;  Deus das artes acadêmicas; Deus dos ladrões e trambiqueiros; Deus da alquimia; Deus do conhecimento; Deus dos caminhos e passagens.
  • Cônjuge: Amante de inúmeras Deusas e mortais
  • Filiação: Júpiter e Maia
  • Descendentes: Hermafrodito; Dafne; Kaikos; e várias ninfas e mortais
  • Aliados: Todas as divindades, sobretudo Júpiter; Hécate; Apolo; Baco; Mnemosine.
  • Plantas relaccionadas: Lavanda; tamareira; figueira; cominho; acácia; valeriana; mirra; louro; mirtilo; verbena; palmeira; benjoim; manjerona; salsa; trevo; bredo; guaco;  .
  • Atributos e símbolos: Caduceu; sandálias aladas; barrete de comerciante.
  • Signo associado: Gêmeos.
  • Festival romano:  15 de Maio.

"A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original" – Albert Einstein

Mercúrio (Hermes, em grego), é o Deus do comércio, das relacções exteriores, da vida acadêmica, dos ladrões e do aprendizado. Ainda é considerado patrono da astronomia, do ocultismo e dos profissionais liberais. Diz-se que seu culto começou com um sábio de outrora, chamado Hermes Trimegisto, que ensinou e escreveu sobre diversas artes acadêmicas e ciências, e também ensinou ocultismo, dando origem a diversas sociedades secretas. Sua imagem deu origem ao Deus grego Hermes (Mercúrio), e ao Deus egípcio Toth. Alguns afirmam que Enoch dos hebreus é associado ao Hermes Trimegisto. Outros afirmam que o culto de Hermes veio da Ásia, e sua origem é bastante antiga, sendo um antigo Deus da agricultura e do pastoreio.

Toth é um Deus muito similar a Mercúrio, por seu abrandamento na área acadêmica, mágica, intelectual e comercial. Ao mesmo tempo, Mercúrio é muito associado também a Legba no vodu e ao Orixá Exu no candomblé, pois ambos são divindades medianeiras entre o divino e a humanidade, ambos são mensageiros, ambos possuem direito de passar entre todas as fronteiras dos mundos. Além disso, tanto Mercúrio quanto Exu são considerados loquazes e são simbolicamente guardiões das encruzilhadas, sendo as divindades mais próximas da humanidade. É dito que Mercúrio foi considerado um Deus da fertilidade e possuía um carácter fálico. Interessante notar que este aspecto fálico também está presente nas culturas da África Ocidental. Será que é o mesmo princípio divino, e só muda o nome que cada cultura lhe dá?
Reparem na forma primitiva do caduceu


Mercúrio é filho de Zeus com Maia. Esta passou a viver numa caverna com o filho, Mercúrio, temendo a fúria ciumenta de Juno. Desde o seu nascimento, Mercúrio fez muitas proezas, como roubar o rebanho de seu irmão Apolo, e inventar a lira. A lira foi depois foi concedida à Apolo. Mercúrio é também mensageiro do Olimpo, e ele também guia as almas dos mortos ao Submundo. Ele é um dos poucos Deuses que possui o direito de ir e retornar das profundezas do Submundo. Mercúrio porta consigo um par de sandálias aladas, que ele mesmo confeccionou, com elas o Deus viaja entre todos os mundos rapidamente. Mercúrio fez diversos trabalhos para Júpiter, dentre todos, levou Pandora ao encontro de Epimeteu, levou Baco ainda bebê para ser cuidado pelas ninfas na Ásia, e acompanhou Minerva, Juno e Vênus à decisão para saber qual das três é a mais bela, uma armadilha caótica feita por Éris, Deusa da discórdia.

Durante a antigüidade, sobretudo na Grécia, o culto de mercúrio esteve muito presente, principalmente junto à outros cultos envolvendo outros Deuses. Um dos principais cultos de Mercúrio foi a "Hermáia", onde faziam-se oferendas e sacrifícios ao Deus e realizavam jogos atléticos em sua honra. Nas casas, ruas, encruzilhadas e locais de livre comércio haviam monumentos chamados "Hermas", em homenagem a Mercúrio, que consistiam em uma imagem da cabeça do Deus sobre um pilar retangular.

Caduceu
O caduceu é o principal símbolo de Mercúrio. Hoje em dia o vemos nos na medicina, em centros e organizações comerciais, e até em escritórios de advogados. Hermes é padroeiro dos comerciantes, profissionais e advogados, mas o caduceu, que é um cetro, possui um significado bastante místico. significa o equilíbrio cósmico e espiritual. As duas serpentes significam a dualidade cósmica. Também está relacionado à evolução espiritual, a série de reencarnações até chegar ao auge espiritual (as asas do caduceu), enquanto as serpentes e o pilar representam também a triplicidade dos caminhos, de nossas escolhas (encruzilhadas). Hermes é o Senhor dos "caminhos e passagens". Não deve-se confundi-lo com o bastão de Esculápio. Muitos afirmam que o caduceu também possui um aspecto fálico.

Vesta

  • Raça: Deusa Olímpica (Cronida)
  • Aspectos: Deusa da família; Deusa da tradição; Deusa da estabilidade.
  • Cônjuge: Não possui
  • Filiação: Cíbele e Saturno.
  • Descendentes: Não possui.
  • Aliados: Hécate; Juno; Júpiter; Febe; Diana; Apolo; Têmis; Selene.
  • Plantas relaccionadas: Mirra; agnocasto; cânfora; avelã; acônito; arruda; hipericão; cravo-da-índia.
  • Atributos e símbolos: Véu branco; lareira; chama sagrada, asno.
  • Signo Associado: Capricórnio.
  • Festival romano:  9 de Junho.

Vesta (ou Héstia, em grego) é considerada a mais velha de seus irmãos. Ela é a Deusa da fámilia, das tradições, dos laços familiares e ancestrais, simbolizado pela lareira, ou o fogo doméstico. Junto com Minerva e Diana, mantém sua virgindade. Vesta era mais cultuada entre os romanos, onde suas sacerdotizas formavam um clero, jurando virgindade perante a Deusa. Elas eram chamadas "vestais". Uma mulher que fazia o juramento de devoção à Vesta, para se tornar uma vestal, teria que servir como clériga no templo por trinta anos. Depois de trinta anos, ela podia escolher entre ficar livre ou permanecer no clero.
Vesta, segundo os mitos, era cortejada por muitos Deuses, sobretudo por Neptuno e Apolo, porém ela decidiu permanecer casta e nunca se casar.

Era tradicional que todas as casas do mundo grego tinham uma fornalha, devotada à Vesta, a fornalha familiar que aquece a casa e interliga aos ancestrais. Ao fundar uma nova cidade, os gregos levavam consigo parte do fogo da lareira, simbolizando a continuação da tradição.
Vesta pode ser considerada uma Deusa séria, responsável, que valoriza o trabalho, uma divindade conservadora que se associa bastante ao mundo material e à busca de uma realização maior dentro dele.

    Juno

    • Raça: Deusa Olímpica (Cronida)
    • Aspectos: Deusa do matrimónio.
    • Cônjuge: Júpiter.
    • Filiação: Cíbele e Saturno.
    • Descendentes: Marte; Vulcano; Lucina; Juventa.
    • Aliados: Ceres; Vesta; Nêmesis; Salácia; Nereu; Hespérides
    • Plantas relaccionadas: Romã; verbena; urze; salgueiro; manjerona; avelã; tomilho.
    • Atributos e símbolos: Pavão; coroa dourada
    • Signo associado: Escorpião.
    • Festival romano:  10 de Outubro.

    Juno (ou Hera, em grego) é a Deusa do casamento, da união conjugal, e também da perseverança e determinação. É Deusa da monogamia, indicando que os antigos gregos eram monogâmicos. O casamento era algo muito importante da tradição grega, formar uma família com uma boa mulher e honrar suas tradições era o que a sociedade esperava das crianças na época. Um homem não é nada sem uma mulher para lhe aconselhar, para lhe dar suporte e convicção.
    Embora seja muito fiel ao marido, Júpiter, este nunca foi fiel, segundo os mitos, sempre a traia com Deusas e mortais, tanto que apenas quatro dos filhos de Júpiter foram com Juno, sendo que um é meio deficiente (Vulcano), e outro é indesejado (Marte). Porém, com toda essa traição do marido, Juno fica furiosa, perseguindo sua amante, o filho de sua amante e às vezes toda a família de sua amante.
    Entre todos os filhos das amantes de Júpiter, o que Juno mais odiou foi Hércules, tentando matá-lo diversas vezes, desde sua infância, segundo as lendas.
    Juno, Vênus e Minerva estavam disputando para saber qual é a mais bela (ver a postagem Vênus), que havia de receber um pomo de ouro de Éris, Deusa da discórdia e do caos. Vênus ganhou, fazendo com que Juno se aliasse aos gregos durante a Guerra de Tróia. Juno inveja bastante a Deusa Vênus, inveja sua divina beleza, e depois da disputa do pomo de ouro, ambas se tornaram grandes inimigas.
    O sexto mês do nosso calendário gregoriano possui o nome de "Junho" em homenágem à Deusa Juno. Provavelmente os festivais e rituais à Deusa era praticado neste período do ano.

    Minerva

    • Raça: Deusa Olímpica
    • Aspectos: Deusa da estratégia; Deusa da razão; Deusa do conhecimento; Deusa das habilidades.
    • Cônjuge: Não possui
    • Filiação: Métis e Júpiter
    • Descendentes: Não possui
    • Aliados: Júpiter; Niké; Diana; Vesta; Têmis; Diké.
    • Plantas relaccionadas: Oliva; alecrim; figo; lírio; cedro; pimenta; salva; sândalo; manjericão; madressilva; violeta; gerânio; açafrão; hortelã.
    • Atributos e símbolos: Égide (escudo de górgona); lança; elmo; coruja.
    • Signo associado: Libra.
    • Festival romano:  19 de Junho.

    "A coruja de Minerva só levanta voo ao cair do crepúsculo" – Hegel

    Minerva (ou Atena, em grego) é a Deusa da sabedoria, da inteligência, das táticas de guerra, da razão. Também é chamada de Palas Atena. Ela foi uma Deusa muito importante e bastante cultuada entre os gregos, sobretudo nas grandes cidades, e seu culto se expandiu entre as várias culturas, desde à península Ibérica e norte da África até a Índia.
    Minerva é filha de Júpiter com Métis. Após o Céu e a Terra profetizarem que Júpiter seria destronado pelo seu filho homem nascido de Métis, o Deus tratou logo de engolir a Deusa para impedir isso. Alguns meses depois houve uma forte dor de cabeça em Júpiter, que pediu então para Vulcano abrir sua cabeça com o machado. Este abriu, e da cabeça de Júpiter nasceu Minerva, portando armaduras e armas.

    Minerva possui forte influência sobre o pensamento grego, tanto na ciência e filosofia quanto nas artes. Ela é a Deusa da razão científica, a luz da razão, muito retratada em ordens esotéricas. Minerva foi eleita a padroeira da cidade grega de Atenas, numa disputa entre a Deusa e seu tio Neptuno. Aquele que fizesse algo extraordinário e bom para a cidade seria o padroeiro(a) e a cidade receberia seu nome. Neptuno fez surgir uma fonte de água salgada, e Minerva fez surgir a uma oliveira, a primeira oliveira da Terra. Ao fazerem isso, os cidadãos escolheram Minerva (Atena) e nomearam a cidade com o nome da Deusa, Atenas (com s no final).


    Inúmeros mitos incluem esta sapientíssima e tão virtuosa Deusa. O mais conhecido são as da trilogia da guerra de Tróia. Primeiro a Deusa disputou com Juno e Vênus para saberem qual das três é a mais bela. O responsável pela escolha foi o troiano Páris, que escolheu Vênus, e como prometido, ela lhe ofereceu a mulher mais bela do mundo, Helena. Helena era esposa de Menelau em Esparta, porém Páris a capturou.
    Menelau disse a seu irmão, Agamemnon (então rei de toda a Grécia), sobre o acontecido, e este aproveitou este fútil motivo para fazer a tão esperada guerra contra Tróia, juntando todas as cidades e reinos gregos.
    Neptuno apoiou os troianos, e Minerva os gregos (aqueus).

    Os gregos estavam perdendo, pois era impossível derrubar as muralhas de Tróia, porém havia um aqueu sábio, devoto à razão (Minerva), ele era Odisseu, que preparou uma estratégia para atravessarem as muralhas num grande cavalo de madeira, oferecido como um suposto rendimento. Os gregos então entraram em Tróia, saíram dos cavalos e começaram o ataque, vencendo a guerra (leia a Ilíada). Neptuno ficou tão irado que fez o máximo para que Odisseu não voltasse ao seu reino em Ítaca, mudando seu rumo no mar e levando-lhe em lugares perigosos. Felizmente Minerva esteve sempre ao lado do astuto Odisseu, dando-lhe oportunidades e rumos para lugares favoráveis (leia a Odisséia).
    Enquanto Minerva é a lógica, a razão, Neptuno, descrito por Homero, seria o inconsciente, simbolizado pelo mundo das águas. Odisseu é o ser que é atraído pelo inconsciente (fúria de Neptuno), mas que sempre tenta seguir a razão (Minerva), para voltar à sua terra natal, ao lado de sua esposa Penelope (Alma universal, eudaimonia).

    Minerva ajudou muitos heróis virtuosos em sua jornada. Ela emprestou a Perseu o seu escudo, esteve ao lado de Aquiles na guerra de Tróia, ajudou Hércules em seus trabalhos. Ela também castigava a quem não lhe era favorável, como quando cegou o profeta Tirésias por este tê-la visto nua ao se banhar.

    Júpiter

     
    • Raça: Deus Olímpico (Cronida)
    • Aspectos: Deus do equilíbrio; Deus do trovão; Deus celestial; Rei dos céus e da superfície.
    • Cônjuge: Juno (Hera)
    • Filiação: Cíbele e Saturno
    • Descendentes: Minerva; Baco; Mercúrio; Vulcano; Diana; Apolo; Marte; Proserpina; as Horas; as Graças; Hércules; Hebe; Ilítia; Castor e Pólux; e inúmeros mortais
    • Aliados: Têmis; Niké; Minerva; Mercúrio; Hécate.
    • Plantas relaccionadas: Sálvia; urze; oliva; carvalho; anis; cedro; jasmim; pachouli; madressilva; louro; figo, hissopo; bordo; noz moscada.
    • Atributos e símbolos: Raio; águia.
    • Signo associado: Sagitário.
    • Festival romano:  13 de Novembro.

    "Àqueles que se ocupam de obras más a Justiça destina o Cronida Zeus longevidente" – Hesíodo

    Júpiter (Zeus, em grego) é Deus do trovão, da justiça e da coragem. filho mais novo de Saturno (Cronos) e Cíbele (Réia). Seu pai era o líder do Universo, e engolia todos os filhos que nasciam de Cíbele, temendo que um dia eles lhe destronem. Seu pai, Saturno, já havia engolido cinco bebês (Vesta, Juno, Ceres, Neptuno e Plutão), porém, quando nasceu o sexto, Cíbele o escondeu e deu para seu consorte uma rocha enrolada num pano.
    O sexto bebê é Júpiter, que foi criado pelas ninfas e amamentado pela cabra Almatéia em Creta. Quando creceu, Júpiter com a ajuda de Métis, sua primeira esposa, encontrou Saturno, e lhe entregou um elixir para que ele vomite os filhos que engolira. Os cinco filhos saíram inteiros, e fizeram um motim para destronar Saturno. Gaia, apoiando Júpiter, disse para este libertar os ciclopes e os centímanos, pois somente com a ajuda deles poderão vencer Saturno e sua legião de Titãs. Liberto os ciclopes, estes deram o raio para Júpiter, o tridente para Neptuno e o elmo de invisibilidade para Plutão, representando o domínio deles nos três mundos. Então começou a guerra que ficou conhecida como Titanomaquia, de um lado a legião de Saturno com os Titãs, do outro lado a legião de Júpiter e seus irmãos no Monte Olimpo. No fim dessa épica batalha, Júpiter vence e propõe uma nova ordem no Universo, enquanto Saturno e seus irmãos são trancados no Tártaro.

    Júpiter definiu então os três reinos e ofereceu-os a seus irmãos homens. Neptuno (Poseidon) ficou com os mares, Plutão (Hades) com o Submundo, e Júpiter ficou com o céu e a superfície terrestre. Júpiter é responsável pela maior parte dos fenómenos meteorológicos, como a chuva, as tempestades e o trovão. Ele sempre foi associado a esses fenómenos, e mais tarde foi associado à ordem. Embora ousado, Júpiter também é um deus caridoso e misericordioso.

    Embora seja Deus da ordem e senhor do Universo, fazendo justiça pelo mundo, Júpiter não é tanto um Deus exemplar. Ele traiu sua belíssima e divina esposa Juno, várias vezes, principalmente com simples mulheres mortais, e mesmo que ela se vingue, ele continua traindo-na. Na verdade, os gregos, para dar um toque divino aos seus heróis, inventaram que eles são filhos de Zeus. Hércules, por exemplo, foi filho de Anfitrião e Alcmena, sempre foi, mas inventaram que o herói foi filho de Zeus, devido a sua força e bravura.
    Júpiter não é necessariamente o que manda no universo, mas sua atuação em organizá-lo é devido ao seu carácter de justiça, Júpiter é Deus da Justiça, e sua atuação para com os mortais é bem explicado por Hesíodo em seu livro "Os Trabalhos e os Dias". Ele representa a ordem, principalmente a ordem social, personificando as leis, e a harmonia na sociedade. É padroeiro dos líderes e administradores, dos juízes, dos advogados, e outros que trabalham com o ideal desse Deus.

    Lembrais que a religião não é somente voltado à Júpiter. Há várias divindades e vários princípios. Não é necessário devotar-se somente, ou com exclusividade a Júpiter por ele ser, supostamente, senhor dos Deuses. Mas também não há de se ter aversão ao Deus. Júpiter anda sempre ao lado da Justiça, respeitando e considerando Têmis (Deusa da Justiça) sua segunda amante. Há de se lembrar, também, que, quando Ceres e Plutão queriam Proserpina, Júpiter resolveu com igualdade o destino de Proserpina, a Deusa ficaria metade do ano com a mãe Ceres, e a outra metade com o esposo Plutão no Submundo.

    Têmis


    • Raça: Titânide (Urânida)
    • Aspectos: Deusa da justiça; Deusa da ética; Deusa da ordem e equilíbrio.
    • Cônjuge: Arqui-amante de Zeus.
    • Filiação: Gaia e Urano
    • Descendentes: Astréia; as Horas Éticas (Diké; Irene; Eumónia); e as nove Horas Telúricas;
    • Aliados: Titãs; Deuses Olímpios; Nix; Parcas; Gaia.
    • Plantas relaccionadas: Manjerona; giesta; hipericão; salva; arruda; gengibre; cebola, verbasco.
    • Atributos e símbolos: Balança; espada; olhos vendados.

    Têmis é a própria ética e justiça. Era chamada de Justitia pelos romanos, que significa "Justiça". Seus símbolos são bem claros: A balança significa igualdade ao julgamento, igualdade ao julgar os dois lados de um confronto; A venda nos olhos é um símbolo atual, e significa que a justiça é cega, não julga pela aparência, classe ou etnia de um indivíduo; A espada significa a punição merecida ao culpado. São símbolos muito relaccionados na área de Direito.
    Quando ainda criança, foi entregue por Gaia, aos cuidados de Nix (a noite) , que acabara de gerar Nêmesis. O objetivo de Gaia, era proteger Têmis da loucura de Urano. Porém Nix estava cansada, pois gerara incessantemente seus filhos. Então Nix entrega sua filha Nêmesis, e a sobrinha Têmis aos cuidados de suas mais velhas filhas, as Deusas Moiras (trio de divindades do destino), que lhes ensinaram tudo sobre a ordem do Universo e que tudo deve ser equilibrado. Têmis e Nêmesis são as Deusas perfeitas a apoiar a ordem cósmica. Têmis é a justiça e Nêmesis é a vingança.
    Ídolo de Têmis no Supremo Tribunal Federal (Brasília)
    Têmis, embora seja uma Titânide, é muito amada por Zeus. Ela vive no Olimpo com ele, talvez seja a única dos seus irmãos Titãs a ser bem-vinda ao Olimpo. Ela é como uma segunda esposa de Zeus, tendo com ele As Horas, divindades que regem os períodos para manter a ordem no Universo. Têmis não só é a justiça social humana, mas também o equilíbrio cósmico e natural, tanto que ela é muito associada a sua mãe, Gaia.
    Durante o Dilúvio (que cada cultura e religião possui a sua versão), Pirra e Deucalião construiram uma embarcação aconselhados por Zeus. No fim do Dilúvio, Têmis disse ao casal jogarem os ossos de sua mãe, os ossos de Gaia (as pedras). Eles as jogaram, e delas sugiram novos humanos para recomeçar a sociedade.

    Saturno

    • Raça: Titã (Urânida)
    • Aspectos: Deus dos ciclos terrestres; Deus da colheita; Deus do tempo; Deus da transmutação.
    • Cônjuge: Cibele (Réia)
    • Filiação: Gaia e Urano
    • Descendentes: Vesta (Héstia); Neptuno (Poseidon); Ceres (Deméter); Plutão (Hades); Juno (Hera); Júpiter (Zeus).
    • Aliados: Titãs; Fauno; Eros.
    • Plantas relaccionadas: Cereais; sabugueiro; urze; urtiga; meimendro; hera; azevinho; menta; pachuli; madressilva; aroeira; arruda; assa-peixe; manjericão roxo; choupo; avenca, samambaia; cavalinha.
    • Atributos e símbolos: Foice.
    •  Festival romano:  17 até 23 de Dezembro.

    Saturno (ou Cronos, na Grécia), é filho de Urano (o Céu) e Gaia (a Terra). É o Deus do tempo, do antigo estado de candura nos tempos áureos, da transmutação e evolução. Durante o período em que seu pai, o Céu, dominava o Universo, Saturno foi o único de seus irmãos que teve coragem de matar o pai e tomar-lhe o poder. Ele fez isso a pedido de sua mãe, a Terra, pois o Céu era um tirano e não dava espaço aos outros Deuses, trancando seus filhos com Gaia nas profundezas do Tártaro (pois vivia unido com a Terra). Seu filho Saturno cortou-lhe os testículos na primeira oportunidade, separando-o da de Gaia. Fraco e dolorido, Urano não teve escolha, senão ser destronado pelos seus filhos. Assim acabou o período de domínio do Céu.

    Saturno se tornou o novo líder do Universo, e com isso sua mãe, Gaia, esperava que ele libertasse todos os seus irmãos, mas ele só libertou os seus irmãos Titãs, enquanto os seus outros irmãos, os ciclopes e os cem-braços (centímanos), continuaram trancados nas profundezas. Gaia não esperava esta atitude de seu filho, ela continuou triste. Gaia profetizou que assim como o pai, Saturno seria destronado por um de seus filhos. Então, Saturno passou a engolir todos os filhos que tinha com Cíbele, pois assim seu poder no universo se torna eterno. O tempo foi passando até que ele engoliu cinco filhos. Quando o sexto filho nasceu, Cíbele pediu a ajuda de sua mãe, Gaia, para que o sexto bebê sobreviva. Então, com o apoio de Gaia, Cíbele entregou a Saturno uma rocha enrolada num pano, parecendo um bebê, e o fez engolir a rocha.

    Réia entregando um bebê a Cronos
    O sexto bebê é Júpiter (Zeus), que foi criado pelas ninfas e amamentado pela cabra Almatéia. Quando creceu, Júpiter com a ajuda de Métis, sua primeira esposa, encontrou Saturno, e lhe entregou um elixir para que ele vomite os filhos que engolira. Os cinco filhos saíram inteiros, e fizeram um motim para destronar Saturno. Gaia, apoiando Júpiter, disse para este libertar os ciclopes e os centímanos, pois somente com a ajuda deles poderão vencer Saturno e sua legião de Titãs. Então começou a guerra que ficou conhecida como Titanomaquia, de um lado a legião de Saturno com os Titãs, do outro lado a legião de Júpiter e seus irmãos no Monte Olimpo. No fim dessa épica batalha, Júpiter vence e propõe uma nova ordem no Universo, enquanto Saturno e seus irmãos são trancados no Tártaro.

    Este mito surgiu quando os gregos passaram a cultuar divindades olimpianas, dando menor importância às divindades da natureza. Em outras versões, Saturno é castigado a ser um mortal e vagar pela superfície da Terra. Nesta versão, ele se torna Deus da agricultura, que ensina aos primitivos humanos a plantar e colher o alimento, sem precisar migrar para outras terras. Saturno ensinou tudo sobre os ciclos da Terra, os períodos férteis, os solstícios e o cultivo de cereais. Sua associação com os ciclos e períodos o tornou Deus do tempo. Junto com o tempo, Saturno é senhor da transformação, uma transformação atuante na natureza e transformação ascendente de nossa sabedoria e nosso espírito, a evolução, com que alcancemos nosso estado mais puro e divino, assim como a semente passa por diversas etapas de tempo até se tornar uma perfeita espiga. Nosso objectivo central é transformar-nos, evoluirmos para resgatar os Tempos Áureos e nossa evolução espiritual. Eis a essência de Saturno atuando no Universo.

    Nos tempos em que Saturno governava o Universo, a humanidade vivia a Era de Ouro, pois não havia doenças, as mortes eram tranquilas, e a terra era sempre fértil e gerava alimentos o ano inteiro. Os humanos da época de Saturno viviam na pureza, eram puros nos pensamentos e acções, e, portanto, unidos ao paradigma divino. Tal pureza mantinha o mundo livre de discórdia  Saturno provia aos humanos todo o conforto e sabedoria, o Senhor do Tempo livrava os mortais do karma e do destino. É dito que Saturno só se tornou senhor do karma e da morte quando foi destronado.  Os romanos comemoravam em dezembro a Saturnália, com banquetes, teatros e orgias. Com a Saturnália, comemoravam a antiga Era de Ouro e ao descanso dos Deuses do Submundo (no qual a terra ficava infértil), com a esperança do fim do inverno e de tempos melhores. Era um festival parecido com o atual Natal cristão, onde todos trocavam presentes.

    Em termos de dualismo divino, Cíbele (Réia) e Saturno (Cronos) formam uma dualidade. Podemos dizer que Cíbele é o espaço, a terra, enquanto Saturno é o tempo. Na ausência deste divino casal, não haveria a história, a existência seria em vão. O tempo e o espaço coexistem. O tempo modifica o espaço e todos os elementos que nele residem. A transformação está em tudo à nossa volta, atuando bem antes da nossa existência.

    Coios


    • Raça: Titã (Urânida)
    • Aspectos: Deus da inteligência; Deus da profecia; Deus celestial; Deus estelar.
    • Cônjuge: Febe
    • Filiação: Gaia e Urano
    • Descendentes: Astéria e Leto
    • Aliados: Titãs e Nix
    • Plantas relaccionadas: Alho; alecrim; anis; cânfora; olíbano; capim-limão.
    • Atributos e símbolos: Dragão, serpente.

    Coios (ou Ceós), é o Titã da adivinhação e da inteligência. É o avô de Hécate (filha de Astéria), e de Artemis e Apolo (filhos de Leto). Foi importante a mensão de seus netos, porque eles representam aspectos de Coios e de sua esposa Febe. Hesíodo (sec. VIII a.C.), escreveu em seu livro, Teogonia, uma passagem dedicada à Hécate, em que conta sobre Coios e Febe.

    Vênus

    Vênus, de Sandro Botticelli
    • Raça: Deusa Olímpica
    • Aspectos: Deusa da Beleza; Deusa do Amor; Deusa da Sedução; Mãe do povo romano.
    • Cônjuge: Casada com Vulcano, e amante de Marte.
    • Filiação: Urano
    • Descendentes: Cupido (Éros); Hermafrodito; Anteros; Medo, Pânico e Harmonia; Himeneu; Príapo; e Enéias (ancestral do povo romano)
    • Aliados: Vulcano; Marte; Júpiter; Cupido; Hermafrodito; Adônis; as Graças.
    • Plantas relaccionadas: Flores vermelhas; murta; aloe; erva de santa maria; canela; prímula; ipê amarelo; hortelã; melissa; hibisco; pachuli; rosa; pinho; cerejeira.
    • Atributos e símbolos: Espelho; madrepérolas; pomba.
    • Signo associado: Touro.
    • Festival romano:  1 de Abril.

     "E logo à linda Vênus se entregavam, amansadas as iras e os furores" – Camões

    Vênus Calipígia
    Vênus (Afrodite) nasceu da espuma do mar, numa concha de madrepérola após os testículos do Céu (Urano) caírem no Mar. Foi cultuada pela primeira vez na ilha de Cítera, onde foi conhecida também como Citérea. É considerada a mais bela Deusa, e ela inveja toda mortal que seja tão bonita quanto ela. Ela foi a primeira Deusa Olímpica a existir. Vênus já se relaccionou com a maioria dos Deuses do Olimpo, principalmente Marte.
    Seu culto é bem antigo, e era relaccionado à maternidade, fertilidade, e também ao mar. Com o passar do tempo, a religião grega foi se unificando e se patriarcalizando, fazendo de Vênus uma Deusa erótica. Vênus é o principal arquétipo da figura feminina, sedutora, suave e pacífica. Sua imagem promíscua é um tanto preconceituosa perante o carácter de mulher, mas também está relaccionado à beleza e à graça que a Deusa abrange como figura feminina, e também a um poder sexual divino. Vênus rege também o amor, a agregação.


    Um dia, quando seu marido, Vulcano, estava ausente, a Deusa seduziu o Deus Marte, e com ele copulou. Ela fazia sempre isso, até que seu marido armou um plano de capturá-los em flagrante. Com uma rede de fios bem resistentes, prendeu-os enquanto estavam na cama. Todas essas aventuras eróticas de Vênus a torna uma Deusa da Sedução, uma Deusa do Sexo.
    No mito da Guerra de Tróia, durante a festa de um casamento divino, a Deusa Éris apresentou um pomo de ouro para três Deusas Olímpicas, Juno (Hera), Minerva (Atena) e Vênus. O pomo era destinado à Deusa mais bela, gerando uma briga para saber qual é a mais bela e quem deve ganhar o pomo. No final, a decisão ficou a um pastor troiano chamado Páris, que escolheu Vênus como a mais bela. Assim, a Deusa realizou o seu desejo de desposar da mulher mais bela da Grécia.

    No livro português Os Lusíadas (Luiz de Camões) diz que Vênus apoiou os portugueses a chegarem às Índias, enquanto o Deus Baco os atrapalhava. Ela adora os portugueses, pois vê neles uma semelhança com o antigo povo romano.

    Em termos de dualismo divino, Vênus e Marte formam uma dualidade. Vênus é o arquétipo da mulher, enquanto Marte é o arquétipo do homem. Vênus é a suavidade, a recepção, enquanto Marte é a agitação, a projecção. Vênus e Marte representam a atração sexual entre a mulher e o homem, pois, enquanto sendo opostos, sempre se amarão e desejarão estarem juntos, pois um completa o outro, tudo precisa de seu oposto, formando a harmonia cósmica.

    Quero lembrar-lhes que nem toda escultura e desenho com o nome de "Vênus" é Vênus. Por exemplo, Vênus de Willendorf  não é a Deusa Vênus Afrodite. Muitas dessas antigas estatuetas de supostas Deusas-Mães são baptizadas como "Vênus" pois a Deusa Vênus é considerada uma Deusa-Mãe dos antigos romanos.

    Urano


    • Raça: Deus Primordial
    • Aspectos: Deus-Pai; Deus-Ceu.
    • Cônjuge: Gaia
    • Filiação: Gaia
    • Descendentes: Ciclopes; hecatônquiros; Vênus; ninfas melíades; gigantes; fúrias.
    • Aliados: Não possui
    • Plantas relaccionadas: Freixo; faia; choupo; cedro; .

    Urano é o Céu, embora já saibamos que o azul que vemos acima de nós não passa do próprio Universo, portanto temos que entender de modo metafórico a cosmogonia grega. A lógica da criação está em que tudo o que é maior (ou mais amplo) é ancestral de algo menor (ou menos amplo) Neste caso o casal mais antigo a habitar o mundo seria a coisa mais ampla, "o Céu e a Terra", cujos herdeiros são o tempo (Cronos) e o espaço (Réia), pois tempo e espaço estão sob os limites do Céu e da Terra. Quando falamos em Urano como o céu, podemos considerar não uma abóbada celeste como os antigos pensavam, mas sim o sutil, o extra-terreno. Enquanto Gaia rege tudo o que é material, Urano rege tudo o que é incorpóreo.
    Segundo Hesíodo, Urano é filho e marido de Gaia. Ele fecunda a Terra com a chuva. Somente com Gaia ele teve relacções e então somente com ela possui descendentes. Porém, quando seu filho, Cronos, cortou-lhe os testículos enquanto ele copulava com Gaia, Seu sangue se espalhou, gerando as fúrias, as melíades, e, dos testículos que cairam no mar, a belíssima Deusa Vênus (Afrodite), nascida das espumas do mar numa concha de madrepérola. Urano foi um tremendo tirano. Durante o seu reinado ele mantinha presos todos os filhos que ele tinha com Gaia.