Clóris

  • Raça: Deusa telúrica
  • Aspectos: Deusa da primavera; Deusa das flores.
  • Cônjuge: Zéfiro
  • Filiação: Zeus e Têmis
  • Descendentes: Karpô
  • Aliados: Eós; Diana; Ceres; Cíbele; Fauno; Téia; Apolo.
  • Plantas relaccionadas: Todas as flores exceto vermelha; carvalho; sândalo; patchuli; figo; salva.
  • Atributos e símbolos: Flor; guirlanda de flores; lebre.
  • Festival romano:  28 de Abril.

"As tantas rosas que os poderosos matem nunca conseguirão deter a primavera" – Che Guevara

Clóris é a Deusa da primavera, muitas vezes consideradas uma das Horas (Deusas responsáveis pela harmonia telúrica). Em Roma era chamada de "Flora", onde faziam em sua homenágem o festival floralia.
Segundo seu mito, Zéfiro, o vento suave do oeste, a raptou enquanto era apenas uma ninfa. Zéfiro quis com ela se casar. Ao se casarem, o ele fez Clóris ser a Deusa da Primavera, reinando sobre as flores. O mel é considerado presente da Deusa para a humanidade.

Na Itália, o festival florália era um dos mais antigos festivais romanos. Era celebrado no dia 28 de Abril, auge da Primavera. No festival, as pessoas se vestiam com roupas mais coloridas, realizava-se jogos e peças teatrais.
Clóris é semelhante à Deusa Eostre, na religião nórdica.

Éros

  • Raça: Deus primordial
  • Aspectos: Deus do amor; Deus da união; Deus do equilíbrio.
  • Cônjuge: Psiquê
  • Filiação: Vênus e Marte.
  • Descendentes: Hedonê
  • Aliados: Vênus; Têmis; Apolo; Hélio; Selene; Eos; Cronos; Gaia; Nix; Pontos; Proserpina.
  • Plantas relaccionadas: Mirra; olíbano; acácia; patchuli; anis; cálamo; benjoim; canela; cravo-da-índia; eucalípto; oliveira; erva-doce; alecrim; verbena; hortelã; gengibre; gardênia; manjerona; jasmim; louro; lótus; azevinho.
  • Atributos e símbolos: Arco e flecha; asas brancas.

Éros é o Deus do amor, da união. Hesíodo o classificava como um Deus primordial, que deu impulso à criação, ele é a "vontade" da criação (leia Teogonia, de Hesíodo). Não significa que Éros é o criador de todo o Universo, e sim que ele é o organizador de tudo, ele é o oposto do Caos, ele é a harmonia cósmica primordial que compõe o Universo. Hesíodo dizia que ele é "o mais belo entre os Deuses imortais".
Muitos autores diziam ser Éros filho de Vênus (Afrodite) e Marte (Ares). Vênus é o arquétipo do feminino, a suavidade, a paz; Marte é o arquétipo do masculino, a agitação, a guerra. Com a união de cada uma das duas polaridades, surge Éros, a harmonia cósmica perfeita, composto pelas duas polaridades em harmonia (Yin-Yang).

Com o tempo, Éros foi sendo cultuado erroneamente como somente o Deus do amor físico (carnal), adaptando-se o nome romano de "Cupido". Éros é assim conhecido até os dias de hoje, uma criança alada com um arco e uma flecha, atirando nos casais para que se apaixonem. Muitas vezes, nas antigas Grécia e Roma, Éros era representado como uma criança alada portando um arco com flechas. Outras vezes era representado como um adulto alado.
Éros e Psiquê

Segundo um mito, Eros casou-se com Psiquê (a Alma), com a condição de que ela nunca pudesse ver o seu rosto, pois isso significaria perdê-lo. Mas Psiquê, induzida por suas invejosas irmãs, observa o rosto de Éros à noite sob a luz de uma vela. Encantada com tamanha beleza do Deus, se distrai e deixa cair uma gota de cera sobre o peito de seu marido, que acorda. Irritado com a traição, Éros a abandona. Esta, ficando perturbada, passa a vagar pelo mundo até se entregar à morte. Éros, que também sofria pela separação, implora para que Júpiter tenha compaixão deles. Júpiter o atende e Éros resgata sua esposa.

Muitos dodecateístas aceitam a idéia de emanacionismo, sendo Eros o princípio de todas as coisas, a origem da criação. Sendo assim, em todo o nosso ciclo de reencarnação, evoluímos até alcançarmos um estado superior, onde nos tornamos unos a esse princípio, nos tornamos unos a Eros.
Sendo o Deus, fruto da união de Vênus com Marte, e exaltando a idéia de emanacionismo, podemos concluir que Eros é o próprio bem, a união equilibrada de dois extremos é o "bem", enquanto o desequilíbrio de dois extremos é o "mal".

Musas

As Musas são entidades da arte e da ciência, são divindades da inspiração. Poetas, escritores, historiadores, pintores, escultores, músicos e cantores são os que trabalham com a arte, andando sempre junto às musas. Elas inspiram a quem lhes pede de coração e de espírito artístico.
As musas são filhas de Apolo, ou são também classificadas como filhas de Zeus e Mnemosine. Geradas para anunciar a glória e a harmonia.
Seu culto surgiu da Trácia, e depois foi levado à Beócia, onde eram classificadas como três musas:
  • Meletéia: Musa da meditação
  • Mneméia: Musa da memória
  • Aedéia: Musa do canto

As musas citadas abaixo são as que os gregos classificaram. Podem ver que, entre essas musas, não há nenhuma associada à pintura ou escultura. Vou esclarecer-vos:
No início de seus cultos, as musas eram divindades bastante pastoris, voltadas principalmente à música e poesia. Com o passar do tempo, os gregos foram se urbanizando e se sistematizando, adeptando-se a novas artes. Com o tempo, os gregos sistematizaram as musas associando-as às artes helênicas de maior valor entre eles, como a poesia, o teatro e a filosofia. Os gregos sistematizaram o culto com nove musas, pois antes cada região cultuava certo número de musas. Platão dizia que a poetisa Safo de Lesbos é a décima musa.
Nove, simbolicamente, é o número da criação, um número relacionado à Lua.

As musas eram adoradas nas academias gregas de ensino, em teatros, em templos de heróis e entre os poetas e artistas. Hesíodo, em seus livros, primeiramente faz uma dedicatória às musas. Essa dedicatória é comum entre muitos poetas e escritores gregos e romanos.
Várias montanhas e cordilheiras eram dedicadas à elas. O monte Parnaso era o principal centro dedicado às musas, onde diziam que elas viviam por lá. Também diz-se que, antigamente, na Arcádia viviam pastores, poetas e músicos, dedicados à arte e a uma vida tranqüila em harmonia com a Natureza.
Não é necessário se prender à essas classificações antigas de musas. Afinal, os antigos gregos classificaram-nas de acordo com sua época. Hoje, estamos em outra época, com culturas e valores diferentes. As musas não estão a disposição somente de cantores, poetas, cientistas e escritores, mas também de pintores, artesões, escultores, e, na minha opinião, também de mestres, cozinheiros, meretrizes e marceneiros, todos trabalhos que exercem funções artísticas (Alma, emoção, contemplação) e funções científicas (Logos, razão, meditação).

Ventos

Os ventos são Deuses primordiais. Diz-se que todos os ventos são manifestações do Deus vento primordial Éolo (daí deriva-se a palavra eólico). São considerados filhos de Eós (a Aurora) e Astreu, ou são considerados ainda mais antigos, filhos de Gaia (a Terra) e Urano (o Céu). As versões são diversas, mas o que realmente importa é que são divindades dos ventos.
Em grego se chamavam Anemoi, que significa "vento", mas do mesmo modo significa "alma", eles associavam a alma ao sopro divino. O mesmo ocorre no latim, com a palavra Anima.
 Os ventos são representados com asas e/ou soprando. São quatro os ventos cultuados, representando cada um uma direção geográfica e o "clima" que manifesta. Suas características são diferentes no hemisfério norte e no hemisfério sul, por motivos geográficos. Então, para caracterizar um vento, inverta suas posições geográficas se estiver no hemisfério sul.
Os ventos determinam também as posições meridionais. Tanto que muitos dos nomes dos ventos são associados, hoje, com posições geográficas (Boreal, austral, setentrional, etc). Resumindo, os ventos simbolizam os quatro cantos do Mundo Físico.

"Puro Zéfiro amoroso, abre as asas lisonjeiras, e entre as folhas das mangueiras vai saudoso adormecer." – Silva Alvarenga